quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Revolução Industrial – Parte 2 – Cotidiano e Movimentos Operários.

INTRODUÇÃO

            Na primeira parte, PioneirismoInglês e Tecnologias, foram abordadas as questões tecnológicas e econômicas que deram impulso à Revolução Industrial, assim como às causas que levaram a Inglaterra a ser pioneira nesse processo que trouxe mudanças significativas que persistem no mundo atual, porém questões de ordem social ainda ficaram por ser respondidas.
            Afinal, como era a vida da nova classe dos proletariados? A evolução tecnológica significou uma evolução econômica de quem cedia força de trabalho? E essas cidades que cresceram, recebiam os trabalhadores lhes permitindo uma vida confortável e digna? Se sim, de que forma isso foi organizado? Se não, o que esses trabalhadores fizeram para garantir uma vida melhor e economicamente estável?

Gravura mostrando a paisagem londrina das fábricas, a fumaça, o cinza e o preto eram as cores das cidades industriais da Inglaterra.

 
COTIDIANO – A VIDA DENTRO DAS FÁBRICAS.

            As fábricas surgiram, cresceram, dominaram o cenário urbano da Inglaterra, e posteriormente de outras cidades da Europa e do mundo, porém uma legislação pró-trabalhador não acompanhou o processo, logo a exploração fabril era realizada ao gosto do burguês capitalista que se aproveitava da situação.
            Uma das questões primordiais da vida fabril dos trabalhadores era a insalubridade. Carente de legislações que visavam reduzir os danos à saúde, trabalhadores das minas de carvão, das minas de ferro, da tecelagem e da metalurgia, sofriam constantemente de doenças, principalmente pulmonares, alcançando um nível alarmante em 1850, no qual 100% dos homens com 50 anos polidores de metais estavam com os pulmões adoecidos por conta da fuligem.[1]
            As jornadas de trabalho também eram desumanas, iam de 14 a 18 horas por dia, e possuíam poucos horários de pausa, esses, muitas vezes, eram utilizados para afazeres da fábrica como: limpar as máquinas e organizar materiais para a produção. Além do que, maior parte desse trabalho era desenvolvido por crianças e por mulheres, muitas dessas pessoas perdiam seus membros nas máquinas e, por muitas vezes, não eram indenizadas.

As crianças e mulheres eram sistematicamente recrutados para trabalhar nas fábricas e manufaturas inglesas, pois o seus salários eram inferiores ao dos homens, além muitas crianças eram recrutadas pelas chamadas "workhouses"
           
            Os salários eram baixos, muitas vezes só serviam para a alimentação bem básica e pagar o aluguel, muitos operários morriam de fome, além disso, cientistas atrelados aos capitalistas como Thomaz Malthus, elaboravam teorias para legitimar a pobreza. Segundo Malthus, a população crescia muito mais do que a produção de alimentos, por isso havia fome entre os operários, mas, se eram os operários que produziam as mercadorias e os agricultores que produziam os alimentos, como mais trabalhadores geraria menos produção?
            Teoria essa foi contradita pelo jornal Lancashire Co-operator citado por Eric Hobsbawn em Era das Revoluções., segue o trecho:

“Não pode haver riqueza sem trabalho [...] O trabalhador é a fonte de toda riqueza. Quem tem produzido os alimentos? O pobre e mal alimentado lavrador. Quem construiu todas as casas e armazéns, e os palácios, que pertencem aos ricos, que jamais trabalham ou produzem qualquer coisa? O trabalhador. Quem tece todos os fios e faz o tecido? As tecedoras e os tecelões [...] o operário continua pobre, ao passo que os que não trabalham são ricos e possuem abundância em excesso”[2]

           
           A vida no interior das fábricas era ruim e degradante, porém a situação não era muito diferente nos bairros operários, que cresciam próximos às regiões industrias, e essa situação não mudou, mesmo quando as residências dos trabalhadores foram levadas para o subúrbio.

           Abaixo segue o documentário da BBC - As Crianças que Construíram a Grã-Bretanha Vitoriana - que aborda o tema do recrutamento, educação e o trabalho infantil na Inglaterra.



COTIDIANO – A VIDA FORA DAS FÁBRICAS

            A vida nas áreas operárias era marcada de vários problemas que surgiram ou se intensificaram com a Revolução Industrial e a urbanização desenfreada. Como as cidades foram crescendo rapidamente, não houve tempo, ou vontade, para que se organizasse uma cidade salubre e inclusiva. Logo os proletários, que já sofriam nas fábricas, ao retornar para o lar encontravam um ambiente tão hostil quanto o do trabalho.
            Um dos problemas que se intensificaram durante a Revolução Industrial foi o alcoolismo, a embriaguez era um componente da rápida industrialização e da urbanização desenfreada, podendo-se dizer que houve uma disseminação de uma peste alcoólica, não só na Inglaterra como na Europa inteira, pois como se dizia na época “o álcool era a maneira mais rápida para se sair de Manchester”. A hostilidade à embriaguez era proveniente tanto de patrões quanto de movimentos operários, o que mostra como o problema se tornou emblemático e universal no continente europeu, a ingestão excessiva de bebida alcoólica era vista como algo desmoralizante.
            O surto de grandes epidemias reapareceu na Europa, principalmente doenças como a cólera que era transmitida pela água, decorrentes principalmente da falta de saneamento básico. Prostituição, infanticídio, suicídio e demência também eram problemas recorrentes que foram associados a esse turbilhão de mudanças que surgiu na Inglaterra.


A Estrada do Gim – William Hogarth -  a gravura demonstra a vida "desmoralizadora" das áreas operárias, o alcoolismo, uma das práticas mais criticadas se faz presente na obra.


            Com problemas na fábrica e fora dela, o que os trabalhadores podiam fazer para pressionar seus patrões e o governo a lhes concederem melhores condições de trabalho? Qual foi a melhor solução encontrada pelos operários e em que isso resultou? É o que veremos nos próximo tópico:  Movimentos Operários.



MOVIMENTOS OPERÁRIOS

            Os movimentos operários trouxeram uma nova perspectiva para a luta por direitos, esses movimentos, consequência dos processos ocorrido nos século XVIII, tiveram seu ápice na primeira metade do século XIX, com seu maior exponencial em 1848, esse movimento foi alavancado, principalmente, pelas lutas populares que se iniciaram na França em 1789, mais bem dizendo: pela Revolução Francesa[3].
            Os confrontos do século XIX trouxeram a tona novos tipos de organização, a luta deixou de ser necessariamente entre pobres e ricos, para se tornar uma luta entre classe trabalhadora e burgueses, a principal tática utilizada era greve. No entanto, outras atitudes mais enérgicas também foram tomadas pelos trabalhadores.
            O ludismo, que ganhou esse nome por ser liderado por Ned (ou King) Lud, é o movimento de trabalhadores que se rebelaram especificamente contra a máquina, pois consideravam que apenas o mecanismo era gerador dos problemas operários, principalmente o desemprego, esse grupo ficou conhecido principalmente porque quebrava as máquinas e, por mais estranho que pareça, era apoiado por pequenos agricultores que viram sua produção reduzir por conta da mecanização. Em 1812 foi lançado o Frame Breaking Act, decreto que levava à pena de morte quem destruísse as máquinas e distribuía recompensas para as pessoas que denunciassem os ludistas.

Breaking Frame Act - no cartas a recompensa de 50 guinéus para quem entregar as pessoas que quebravam máquinas.

            Posteriormente, surgiu o movimento cartista, que através de greves e representantes no parlamento, buscou inserir leis que emancipavam os operários e colocava uma legislação para impor limites em relação ao trabalho exercido na fábrica. Esse movimento possuía esse nome por se basear na “Carta do Povo”, documento escrito em 1838 e entregue ao parlamento inglês com seis exigências fundamentais, vejamos a seguir:

ü      1º. Voto para cada homem maior de 21 anos, mentalmente são e sem antecedentes penais;
ü      2º. Papeleta eleitoral para proteger o eleitor no exercício de seu voto (voto secreto);
ü      3º. Que não haja qualificação com base em suas propriedades para eleição dos membros do Parlamento; desse modo os distritos eleitorais poderão exercer democraticamente o seu direito de eleger um homem que os represente, seja ele pobre ou rico;
ü      4º. Pagamento dos membros. Dessa maneira será permitido aos honestos comerciantes, trabalhadores ou qualquer outra pessoa servirem ao seu distrito eleitoral de forma intensiva, despreocupando-se de seus problemas pessoais;
ü      5º Nivelação dos distritos eleitorais para assegurar uma representação igualitária com o mesmo número de eleitores, em lugar de permitir que distritos eleitorais pequenos tenham uma representação maior que outras regiões mais extensas;
ü      6º Parlamentos anuais: dessa forma será obtido um controle mais efetivo sobre os representantes, que, ao serem renovados anualmente, terão muito cuidado do que agora em não enganar o povo que os elegeu, pois se é possível subornar ou comprar um cargo por um período parlamentar de seis anos, é de se supor que, sob a égide do sufrágio universal e sendo de um ano a duração de um mandato, não haverá dinheiro que chegue para se pôr em prática o que agora é feito impunemente;

            Como podemos ver, os movimentos operários não surgiram imediatamente após a data fixada como início da Revolução Industrial, mas esses foram de suma importância para que cada vez mais as leis trabalhistas fossem ampliadas, não só na Inglaterra, mas no mundo todo à medida que o tempo foi passando. O movimento cartista, por exemplo, continha principalmente exigências políticas, que posteriormente deram lugar às reivindicações conquistadas como: jornada de 8 horas de trabalho, proibição do trabalho noturno para mulheres e crianças, direito a férias e salário mínimo.
            Hoje, medidas neoliberais estão na contramão dos movimentos trabalhistas, pois se alega que o excesso de direitos dos trabalhadores traz problemas de ordem econômica para todos, porém cabe a reflexão: será que o direito trabalhista interfere tanto assim a ponto de ele ser causa dos seus próprios problemas? Ou será que as burguesias estão em busca de mais lucro e exploração?

A jornada de trabalho de 8 horas se tornou bandeira dos movimentos operários por muito tempo, no Brasil ela só foi alcançada no século XX e assim permanece até hoje, na França, por exemplo, a jornada chega a 7 horas por dia. 

           




[1] HOBSBAWN, 2007 p. 288

[2] HOBSBAWN, 2007 p. 290
[3] HOBSBAWN, 2007 p. 290

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Revolução Industrial – Parte 1 - Pioneirismo Inglês e Tecnologias


INTRODUÇÃO

            A Revolução Industrial pode ser considerada um dos marcos da História, esse processo que se iniciou na Inglaterra no século XVIII[1], se espalhou pelo mundo em momentos em intensidades diferentes, alterando drasticamente não só a vida cotidiana, mas também a política internacional.
           Em suma, a Revolução Industrial aumentou exageradamente a produção de mercadorias e foi responsável pela ascensão e consolidação do modelo capitalista burguês, pela urbanização dos países e até mesmo pelo surgimento de movimentos de oposição como as organizações operárias, trade unions e os sindicatos.
            Mas, sendo a Revolução Industrial tão impactante e tão importante no mundo, como ela surgiu? Como a burguesia industrial da Inglaterra conseguiu consolidar o sistema fabril? E quais as consequências desse processo?

ANTECEDENTES

            Antes de concluirmos e evitar chegar a uma conclusão simplista, é preciso traçar os caminhos que levaram o ser humano a buscar pelo aumento da produção e organizar sua vida em torno desse sistema. E para isso é preciso entender como funcionava a produção antes do século XVIII, e como essa produção se desenvolveu do trabalho feito por uma única pessoa, para a divisão do trabalho.
            Um dos processos produtivos mais antigos da humanidade é o artesanato. Não, o artesanato nesse caso não se trata daquele produto enfeitado por um artesão que costumamos dar de presente para as pessoas da família quando voltamos de uma viagem. Aqui se trata de artesanato relacionado ao modo de confeccionar uma mercadoria, ou seja, as etapas pelas quais um produto passa se transformando de matéria-prima bruta até se tornar um bem de consumo. Nesse caso então artesanato se define por: um procedimento de confecção de um produto no qual o realizador participa de todas, ou quase todas, etapas, desde a extração da matéria-prima até a venda desse produto no mercado ou nas feiras.

Na produção artesanal todas as etapas eram realizadas pelo artesão e seu aprendiz, não havia divisão do trabalho por estapas.


            O artesanato era o principal modo de produção, principalmente no período que compreende o fim da chamada Idade Média e início da Idade Moderna com o Renascimento Comercial e Urbano, que como o próprio nome diz, foi a época em que o comércio e as cidades começaram a ressurgir, principalmente, na Europa Ocidental, fazendo com que artesãos de vários seguimentos se organizassem em corporações que garantiam qualidade, preços e evitavam falsificação dos produtos[2]. O aumento da produção artesanal fez com que os produtores buscassem novas formas de confeccionar mais produtos em menos tempo, assim surgiu a manufatura.
            Se antes o artesão, por exemplo, queria confeccionar uma cadeira, esse era responsável por extrair a madeira, talhar as peças, montar o objeto e sair para vendê-lo –algumas vezes com ajuda de um familiar ou um aprendiz. Porém notou-se que a produção aumentaria se cada pessoa fizesse uma dessas partes, e com um aumento na quantidade de produtos fabricados agora era possível pagar funcionários. Então manufatura é: o processo de produção manual no qual cada pessoa faz uma etapa de confecção da mercadoria. No entanto, a produção que já era rápida e alcançava quantidades maiores podia ser mais veloz e aumentada.

Na manufatura o trabalho era dividido, cada trabalhador era responsável por uma etapa da produção.


            As máquinas já auxiliavam os humanos há um tempo, porém necessitavam quase 100% de uma força animal ou humana para se movimentarem, mas para aumentar a produção e reduzir os custos, era necessário inventar algo que não dependesse tanto da força e da habilidade humana e que produzisse ainda mais do que as manufaturas. Iniciava-se a implementação da maquinofatura, processo produtivo com participação das máquinas movidas à energia artificial.



O PIONEIRISMO INGLÊS

            Como foi abordado anteriormente, a Revolução Industrial foi um processo que ocorreu de maneiras diferentes, em intensidade e tempo diferentes em cada país do globo, mas só um país foi capaz de realizar a passagem da manufatura para a maquino fatura primeiro, ou seja, de forma pioneira, esse país era a Inglaterra.
            Mas como uma ilha isolada da Europa continental conseguiu se automatizar antes de outras potências como a França, por exemplo? Que fatores internos e externos foram responsáveis por esse pioneirismo? E por que potências do pioneirismo ultramarino do século XV como Portugal e Espanha não alcançaram o êxito de uma Revolução Industrial se dominavam grande parte das terras do globo?
            Há vários fatores que podem explicar as vantagens inglesas perante outros países, embora sejam bastante discutidos por historiadores que nem sempre chegam às mesmas conclusões, arrolaremos aqui alguns dos motivos que fizeram os ingleses largarem na primeira fila dessa corrida:

 ü      Acúmulo de Capitais – Em outra ocasião estudaremos a questão da escravidão, e poderemos observar que a Inglaterra era um país que combatia as sociedades ecravagistas ao redor do mundo, mas nesse momento temos que lembrar a grande quantidade de capital que os ingleses conseguiram acumular com o comércio de escravos[3] em várias colônias portuguesas e espanholas principalmente na América Latina, além de entrepostos mantidos principalmente na costa africana. Outra fonte de renda da Inglaterra era proveniente dos corsários, ou seja, homens que possuíam uma autorização do governo para atacar e roubar navios inimigos e inclusive eram pagos para lutar em guerras. As colônias ultramarinas[4] também eram fonte de renda para o governo britânico, muita parte da renda provinha das colônias da América do Norte, do Caribe, Guiana Inglesa e a Companhia Britânica das Índias Orientais, um grupo de mercadores ingleses que conseguiu o controle comercial de três cidades importantes da Índia: Madras, Bombaim e Calcutá.

A escravidão era intensa na Europa, principalmente na cidade de Liverpool, em 2007 a cidade inaugurou o Museu Internacional da Escravidão para contar a história do comércio de africanos que enriqueceu a cidade e a Inglaterra, a Revista de História da Biblioteca Nacional lançou uma matéria sobre o assunto http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/museu-em-liverpool 

ü      Revolução Gloriosa – de forma sucinta e rápida, a Revolução Gloriosa foi o processo que determinou o fim do Regime Absolutista inglês e deu início a um governo Burguês, assim como ocorreria na França em 1789. Esse fato é importante, pois o mercantilismo que é a organização econômica mais ligada ao absolutismo dificultava o crescimento do burgueses britânicos, portanto ao derrubar, politicamente, os monarquistas, a burguesia passou a controlar a política de acordo com os seus interesses econômicos, limitando, até hoje naquele país, os poderes dos monarcas com o parlamento

ü      Mão-de-obra farta e barata – como conseguir mão-de-obra para a confecção de mercadorias se a escravidão, por exemplo, não era permitida na Inglaterra? As respostas, dos donos das manufaturas e fábricas, para conseguir a sua força de trabalho era muito simples: o campo. Desde o século XVI, monarquistas ingleses vinham se empenhando na expulsão de moradores do campo para as cidades, simplesmente cercando e transformando em propriedade privada as chamadas “terras comunais”, por isso, o processo que ficou conhecido como “cercamentos”(enclousures) era o responsável pelo êxodo rural e consequentemente garantia trabalhadores para as fábricas e manufaturas, porém foram esses mesmos homens e mulheres expulsos que se engajaram em movimentos por melhorias das condições de trabalho.

ü      “Legislação dos Pobres” ou “Leis Sanguinárias” – mas e se os novos habitantes das urbes inglesas, provenientes dos “cercamentos” não quiserem trabalhar? Para isso a monarquia e o parlamento inglês se empenhou durante vários anos em criar um conjunto de leis que evitavam a “vadiagem”, segue um trecho da Lei criada pela Rainha Isabel em 1572:

“mendigos sem licença e acima dos 14 anos de idade devem ser fortemente chicoteados e marcados a fogo na orelha esquerda, no caso de ninguém os querer tomar ao seu serviço por dois anos; em caso de repetição, se estão acima dos 18 anos de idade, devem ser executados, no caso de ninguém os querer tomar ao seu serviço por dois anos; à terceira reincidência, porém, são executados sem piedade como traidores públicos”[5]
  
ü      Tratado de Methuen ou Tratado de Panos e Vinhos – a Coroa Portuguesa estava em decadência e a produção de tecidos ingleses em ascensão, então nada melhor do que comprometer ainda mais os lusitanos com a compra de tecidos em troca da compra de vinhos, para firmar esse acordo que beneficiava mais ingleses do que portugueses. Portanto a intenção de derrubar Portugal como potência colonial, estava caminhando bem.


ü      Carvão e Ferro – como alimentar e construir as máquinas? Na Inglaterra esse problema não existia, o país era rico em recursos como o carvão mineral, fornecedor de energia, e o ferro, matéria-prima para as máquinas. As minas de carvão têm relação fundamental com a história dos operários ingleses e suas lutas por melhores condições, pois nas minas o trabalho eram excessivamente precário, eram utilizadas crianças de 5 a 7 anos e até pôneis para retirada de carvão das áreas mais fundas da mina.

A gravura acima consta na  Cyclopedia of Useful Arts de Charles Tomlison, publicada em 1853, o livro é um compilado de artigos sobre manufatura, mineração e engenharia. https://archive.org/details/cyclopaediaofuse01tomluoft

            A política, a legislação, as condições internas e externas já existiam na Inglaterra, agora só restavam as máquinas, e essas viriam a se desenvolver principalmente no ramo algodoeiro, não em toda produção têxtil como se é de costume, e embora a indústria cervejeira da Irlanda já fosse automatizada ela pouco alterou as condições da população à sua volta e não atingiu nem de perto vastas áreas como o algodão (HOBSBAWN, 2007 p. 63). E foi durante todo o século XVIII que essas máquinas se desenvolveram, levando consigo outros ramos industriais.

AS MÁQUINAS

            Houveram inúmeras invenções ao longo da segunda metade do século XVIII que tiveram como objetivo, aumentar os lucros, sem decair muito na qualidade do produto, mas o invento mais importante do período foi a disciplina fabril, com ela o operário era rigidamente controlado pelo seu patrão em sua jornada de trabalho que podia chegar até 18 horas diárias.

ü      Lançadeira volante (flying shuttle) – 1733 John Kay – Peça que foi criada especialmente para o tear manual, possibilitava a fabricação de tecidos mais largos em menos tempo.

Laçadeira volante, tear já utilizado em larga escala nas manufaturas inglesas

A peça criada por Jhon Kay, flying shuttle, acelerava o processo de confecção dos tecidos.

 O vídeo abaixo demonstra o funcionamento da inveção de Jhon Kay



ü      Spinning-Jenny -1767- James Hargreaves – ainda movida a força humana, a máquina conseguia fazer vários fios simultâneos, porém pouco resistentes.



ü      Máquina a vapor – 1768 (patenteada em 1769) - James Watt – com base na invenção de Thomas Newcomen (1712), James Watt reformulou a máquina a vapor que desperdiçava menos energia, pois possuía uma sistema no qual uma segunda câmara de condensação garantia um aquecimento mais lento da máquina.

Máquina a vapor de Thomas Newcomen.

Máquina a vapor de James Watt.

 O vídeo abaixo demonstra o funcionamento da máquina de Newcomen e as modificações feitas por James Watt.



ü      Water-frame - 1769 – Richard Arkwight – máquina movida a água, embora produzisse fios muito grossos, agora a fábrica tinha que ter uma localização específica, perto de sua fonte de energia, assim os trabalhadores agora teriam que se deslocar até o seu local de trabalho, por conta disso é implementada a disciplina fabril.



ü      Siderurgia - 1709-1713 – Abraham Darby – sim, a siderurgia foi desenvolvida por volta dos anos 2000 a.C.[6], porém nesse caso estamos falando do desenvolvimento de uma liga de ferro reforçada que serviria posteriormente para compor as máquinas. Darby, iniciou a produção do ferro utilizando carvão mineral e com isso aumentou a produção da Inglaterra que antes importava a matéria-prima, no entanto o ferro só substituiu totalmente a madeira a partir de 1776.


ü      Spinning mule – 1779 - Samuel Crompton – junção da water-frame com a spinnig jenny, a mule continha o que havia de melhor das duas máquinas, produzia vários fios simultaneamente, era movida a água e confeccionava fios finos e resistentes, o que dava melhor qualidade ao produto, aumentando ainda mais a concorrência da Inglaterra com a Índia.



ü      Tear mecânico – 1785 - Edmund Cartwright – sem dúvida a mais emblemática invenção da Revolução Industrial, imprimiu maior velocidade na produção, isso porque era movido a vapor, mas ainda era possível saltar mais à frente.




ü      Descaroçador mecânico – 1792 - Eli Whitney – fora da Inglaterra, mais precisamente nos jovens Estados Unidos da América, Eli inventou uma máquina que faria prosperar a economia algodoeira sulista e tornaria a matéria-prima mais barata, favorecendo os industriais da Inglaterra.

O descaroçador mecânico aumentou a oferta de algodão e diminuiu seu preço.


           As inovações da Revolução Industrial se expandiram para vários setores que complementavam a produção industrial, pontes de ferro, veículos movidos à vapor como a locomotiva e o barco entraram em cena, se destacando principalmente durante o século XIX, em um período que possamos talvez chamar de Segunda Revolução Industrial, portanto “...a revolução industrial não foi um episódio com um princípio e um fim. Não tem sentido perguntar quando se ‘completou’, pois sua essência foi a de que a mudança revolucionária se tornou norma desde então”[7]

            No entanto, a Revolução Industrial não foi somente responsável pelas modificações na área tecnológica, ela também teve consequências na vida cotidiana da população mundial, dentre elas podemos apontar: o surgimento de duas classes sociais, a burguesia, que aqui perde seu significado feudal e ganha nova roupagem como sendo o grupo que detém os meios de produção e o proletariado, classe que por não possuir os meios produtivos vende sua força de trabalho; o crescimento demográfico, essa, consequência direta do aumento da produção de alimentos foi a maior explosão demográfica que ocorreu após a Revolução Agrícola no neolítico, porém diferente do acontecido na pré-história, aqui a população mundial, nem mesmo no período das grandes guerras, chegou a retornar a uma escala demográfica anterior; e, por  fim, a urbanização foi a consequência mais emblemática do período, mesmo assim a população urbana do globo só veio a ultrapassar a população rural na década de 2000, o que demonstra que esse processo ocorreu de forma desigual e em tempos diferentes em cada país.

            Mas, e a vida da nova classe dos proletariados? A evolução tecnológica significou uma evolução econômica de quem cedia força de trabalho? E essas cidades que cresceram, recebiam os trabalhadores lhes permitindo uma vida confortável e digna? Se sim, de que forma isso foi organizado? Se não, o que esses trabalhadores fizeram para garantir uma vida melhor e economicamente estável? Essas, e outras perguntas tentaremos responder no artigo “Revolução Industrial – Parte 2 – Cotidiano eMovimentos Operários”




[1] Eric Hobsbawn em seu livro Era das Revoluções afirma que a expansão da indústria e suas consequências só apresentam dados que possam caracterizar uma Revolução Industrial somente na década de 1780, portanto o termo “revolução Industrial” só viria aparecer em documentos a partir de 1840.
[2] “The number of voyages to Africa made between 1695 and 1807 from each of the main European ports that were involved in the slave trade were:

Liverpool: 5,300
London: 3,100
Bristol: 2,200
Other European ports: 450 (Amsterdam, Barcelona, Bordeaux, Cadiz, Lisbon and Nantes)”
[3] Haverá posteriormente uma postagem sobre o aumento da produção agrícola, o surgimento das cidades e
[4] Aqui trataremos somente do período que abrange o início da Revolução do Século XVIII, o Imperialismo Inglês que fez com que a Inglaterra ampliasse seu território em 10 milhões de quilômetros será abordado no tema Imperialismo
[5]https://disciplinas.stoa.usp.br/pluginfile.php/347332/mod_resource/content/1/Marx%20Capital%20cap%20XXIV.pdf
[7] HOBSBAWN, 2007 p. 51

quinta-feira, 7 de março de 2013

Africanos no Brasil: dominação e resistência.


1 – De onde eram?

Os africanos, contra a sua vontade, começaram a vir para o Brasil com mais intensidade com o avanço das plantações de cana-de-açúcar no nordeste na segunda metade do século XVI.
Esses povos vieram de diversas partes da África com características físicas, culturais, religiosas e línguas diferentes. Grande parte deles vieram da costa oeste do continente africano e de regiões localizadas ao Sul do equador, alguns grupos vieram de Moçambique na costa leste.
Os africanos não eram conhecidos por sua etnia, mas sim pelo nome do porto ou da região onde haviam embarcado. Assim teremos nomes de grupos como os cabinda e os "minas" estes vindos da Costa do Marfim, antigamente conhecida como São Jorge da Mina).

2 – Guerra e Escravidão.

O tráfico de escravos era um negócio lucrativo com africanos, europeus e brasileiros[1] participando. O comércio de escravos funcionava da seguinte maneira: os traficantes forneciam tabaco, aguardente, pólvora e armas de fogo aos chefes africanos em troca exigiam prisioneiros de guerra; de posse das armas os chefes africanos faziam guerra obtendo prisioneiros; e por fim, esses prisioneiros eram negociados com traficantes que depois os vendiam na América como escravos.



3 – Os africanos e suas culturas.

Os africanos trouxeram para cá, não só a sua força de trabalho, mas também a sua cultura, modo de falar, de se comportar, culinária e religião.
Na culinária temos como exemplo o Bobó de Camarão prato à base de camarão e mandioca temperado com pimenta e azeite de dendê, o Vatapá prato que tem como base camarão e peixe, também leva frutas oleaginosas como o amendoim e a castanha além do tradicional azeite de dendê. O quibebe é uma “Espécie de purê elaborado com abóbora do tipo cabotian, normalmente temperado com alho e cebola”[2] o vocábulo provavelmente seria de origem africana do termo quimbundo “Kibebe”, que significa papa de abóbora[3].
O mungunzá é um doce feito de milho branco e coco contendo também canela e cravos, esse prato é utilizado também em rituais tanto da umbanda quanto do candomblé.


Bobó de camarão.

Mungunzá.

Quibebe

Vatapá


Na nossa língua temos algumas palavras de origem africana como, por exemplo: Angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.
Batuque: dança com sapateados e palmas.
Banguela: desdentado.
Cafuné: carinho.
Ginga: Movimento corporal na capoeira, na dança e no futebol.

No campo da religião temos um problema com as más interpretações principalmente feitas pelos líderes e adeptos do cristianismo. As religiões africanas ou afro-brasileiras são vistas como maléficas e seus adeptos como bruxos que praticam magias para conseguir as coisas, normalmente conhecemos essas religiões pelo nome pejorativo de macumba.  O termo "macumba" também é utilizado, da mesma forma, para designar a oferenda para os Orixás quando o correto é ebó. No entanto, na verdade, esse termo refere-se ao instrumento musical.

Temos dois ramos de religiões afro-brasileiras bastante conhecidas o Candomblé e a Umbanda.
O Candomblé, ao contrário do que se pensa, é uma religião que nasceu em solo brasileiro e também é praticada em outros países da América do Sul e Central. Trata-se de uma religião politeísta na qual os Orixás são os deuses, cada um deles tem uma personalidade que influencia os praticantes dessa religião, quando um orixá influência uma pessoa essa é chamada de “filha(o) de Santo”, essa personalidade do orixá pode misturar-se com a de outros o que faz a pessoa tenha características de mais de um orixá.
Os deuses do candomblé também são detentores da tristeza e da felicidade dos seus “filhos”, quando vemos uma oferenda nada mais é do que um pedido feito por um “filho” para o seu orixá. Nessa religião também não comportamentos certos ou errados e nem bons e maus[4].
Já a Umbanda é um pouco diferente, ela possui elementos de diversas culturas que ajudaram a formar o Brasil, possui elementos do espiritismo kardecista, cultos afro-brasileiros, catolicismo, de rituais indígenas e até alguma influência de ideias esotéricas. Essa religião adota em seu culto personagens urbanos e caboclos indígenas também acreditam na reencarnação como os kardecistas e também fazem diferenciação entre o bem e o mal. As entidades umbandistas vêm do catolicismo, ou seja, os santos católicos, sendo São Jorge um dos mais famosos.

4 – A travessia.

No litoral africano homens, mulheres e crianças embarcavam nos navios negreiros, embarcações pequenas e precárias. As viagens duravam pouco mais que um mês, a água potável era pouca assim como a comida, alguns escravos se arriscavam a tomar água do mar e por isso adoeciam.
Chegando ao Brasil os escravos eram avaliados, examinados e comprados, o preço variava de acordo com sexo e idade. Como eram propriedade de outra pessoa os escravizados podiam ser vendido, alugados ou leiloados.
“No Império, os traficantes eram considerados empresários de sucesso e possuíam um status social elevado, armando embarcações com destino à África, servindo-se de uma rede de fornecedores e agentes comerciais em vários países e empregando muitas pessoas. Até 1831 estiveram entre os homens mais ricos do Império, com ligações estreitas com a Corte e representantes na Câmara de Deputados, além de contar com a conivência da polícia e das autoridades locais. Somente após 1850, com a Lei Euzébio de Queiroz, começaram a ser qualificados como “piratas”, tendo muitas vezes de fugir para o exterior.

No entanto, sob a proteção dos latifundiários, que como compradores de escravos jamais foram punidos, foram autorizados a voltar a viver no país já nos anos 1860 e incentivados a aplicar suas fortunas em outros negócios, como a agricultura. De certa forma, portanto, a participação de brasileiros no tráfico negreiro e as benesses que receberam fazem parte de um processo que ajudou a plasmar as elites do país nas entranhas da sociedade escravocrata brasileira”·.


Foto de um navio negreiro.


5 – O Trabalho.

No Brasil, o trabalho escravo predominou em quase todos os setores econômicos.
Além do setor da produção de açúcar, foi empregado também: na agricultura de abastecimento interno; na criação de gado
nas pequenas manufaturas; no trabalho doméstico; e em toda ordem de ocupações urbanas.
O trabalho de escravo durava entre 12 e 15 horas por dia. O trabalho braçal na agricultura, na carpintaria e de ferreiro era mais comum aos homens, já as mulheres se ocupavam de trabalho domésticos comércio, cuidando de doentes etc. Havia também africanos libertos que conseguiam sua alforria[5].



[1] Pessoa nascida na parte da América onde hoje é o Brasil.
[2] http://www.dicionarioinformal.com.br/quibebe/
[3] http://www.conceitoted.com/2011/09/o-que-significa-quibebe.html
[4] CARMO, João Clodomiro do.O que é candomblé?. São Paulo: Brasiliense, 1987.

segunda-feira, 4 de março de 2013

A sociedade mineradora. Resumo baseado no livro História do Brasil de Boris Fausto.

1 – Ouro e diamantes: as primeiras mudanças da colônia.


Os bandeirantes paulistas tinham certeza de que havia ouro nas terras do Brasil, sabiam disso porque o metal e as pedras preciosas eram abundantes na América inteira e não podia ser diferente por aqui. Depois de algum tempo procurando a confirmação veio em 1965, no Rio das Velhas (MG), próximo às atuais Sabará e Caeté e também foi encontrado, posteriormente, em Goiás, Bahia e Mato Grosso. Ao lado do ouro surgiram os diamantes, mas não tiveram tanta importância econômica.
A exploração de metais preciosos teve efeitos na Colônia e na Metrópole, a busca pelo ouro ocasionou a primeira grande onda migratória da Metrópole para a Colônia. Na questão econômica esse ouro deu um certo alívio financeiro para Portugal, o país havia assinado com a Inglaterra o Tratado de Methuen, onde se comprometia a comprar os tecidos ingleses em troca da tributação dos vinhos portugueses por parte dos britânicos que reduziria o imposto sobre a produto para um terço em relação aos vinhos de outra origem. Como os vinhos eram mais baratos que os tecidos a balança comercial lusitana estava desequilibrada, a não ser pelo ouro que garantia a sua estabilidade.
Assim o ouro colonial realizou um ciclo triangular garantindo o acumulo de capital para a Inglaterra, garantindo as construções ordenadas por D. João VI em Portugal e enriquecendo relativamente a região mineira no Brasil.
A economia açucareira nordestina foi afetada pela extração de ouro, pois perdeu grande parte do contingente algumas pessoas buscavam enriquecimento com a mineração e o preço do escravo aumentou devido à grande procura. O eixo administrativo se deslocou para o Centro-Sul. Em 1763, a capital do Vice-Reinado foi transferida para o Rio de Janeiro, isso porque o lugar era mais próximo da região mineradora e virou o único porto que o governo português permitia o embarque de ouro. A economia mineradora gerou uma interação entre as demais áreas da Colônia, gado e alimentos vinham da Bahia, do Sul além do gado vieram as mulas necessárias para o transporte, e a feira de Sorocaba no interior de São Paulo se tornou parada obrigatória de viajantes.

2 – O controle das minas.

A coroa realizou uma intervenção regulamentadora para a extração de metais preciosos, foi a mais ampla até então já realizada. Essas medidas foram tomadas para proveito próprio e para evitar o caos durante a corrida pelo ouro.
Foram criados dois sistemas básicos para evitar o contrabando:

  • O quinto – a quinta parte de todos os metais extraídos deveria pertencer ao rei.
  • A capitação – imposto cobrado por cabeça de escravo, por mineradores livres ou por estabelecimento.

Durante o início das atividades mineradoras a Câmara de São Paulo reivindicou, junto ao rei de Portugal, que somente aos moradores da Vila de São Paulo fosse dado o direito de exploração das minas. Por haver um grande número de brasileiros não paulistas que já explorava o local a reivindicação se tornou inviável. Os paulistas se revoltaram e iniciaram a Guerra dos Emboabas (1708-1709). Os paulistas foram derrotados, mas conseguiram com que fosse criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro (1711), posteriormente Minas se tornaria uma Capitania separada (1720).
Em 1719, devido aos altos índices de contrabando foram criadas as Casas de Fundição, locais onde o ouro era transformado em barras, selado e quintado. O ouro saia delas e era escoltado pelos Dragões. A criação dessas casas aumentou a insatisfação das pessoas e deu origem à Revolta de Vila Rica. As principais exigências eram: a redução do preço dos alimentos e a anulação do decreto que criava as casa de fundição. A revolta foi reprimida e seus líderes presos e mortos.

Ouro das casa de fundição, numerados, datados e com o carimbo da coroa portuguesa.


O governo português tentou evitar que a nova capitania se transformasse em território livre, estabeleceu leis de emigração em Portugal, ou seja, evitar que portugueses saíssem da metrópole para a colônia e a entrada de frades foi proibida e determinou ainda que todos os desocupados fossem presos (1738).
A Coroa também buscou impedir um desequilíbrio entre as regiões da Colônia. Foi proibido o comércio de produtos importados da Metrópole entre Bahia e as minas, para facilitar a vigilância vários acampamentos foram transformados em vilas. Também foram criadas juntas de julgamento e nomeou ouvidores que julgavam questões e supervisionava a arrecadação do quinto. Também foram enviados os Dragões soldados que evitavam revoltas e as milícias se formavam para casos de emergência.
As grandes distâncias e a corrupção foram fatores que dificultaram as ações de segurança da Coroa.

Uma das formas de contrabando do ouro era esconder o mineral dentro de estátuas de madeira de santos, essa prática deu origem ao termo "santo do pau oco" utilizado quando dizemos que uma pessoa não é aquilo que ela aparenta ser.


3 – A sociedade.

Devido grande movimento de pessoas de várias classes sociais para a região das minas, ali se formou uma sociedade própria. Grande parte dessas pessoas tinham interesses não relacionados aos da Metrópole o que deu origem a uma série de revoltas e conspirações. A proibição da entrada das ordens religiosas na região das Minas fez com que ordens religiosas leigas surgissem e patrocinassem a construção de igrejas ao estilo barroco.   

Painel “A Última Ceia” (Colégio do Caraça – 1828). A única obra de cavalete realizada pelo Pintor. Obra do estilo Barroco o mais difundido durante o Ciclo do Ouro.
A Última Ceia escultura de Francisco da Silva Lisboa, o Aleijadinho.


Matriz de Santo Antônio - Cidade de Tiradentes parte interna, a igreja que foi esculpida por Aleijadinho é considerada uma das mais ricas do período.


Na base da sociedade estavam os escravos, muitos trabalhavam na mineração que era uma atividade pesada, quando a exploração saiu dos leitos dos rios e passou para a exploração em minas a situação piorou, a vida útil de um escravo tinha em média de 7 a 12 anos. Nesse período o número de exportação de escravos aumentou para suprir esse número de inutilizados.
O número de mestiços também cresceu, assim como o número de alforrias, embora seja motivo de discussão entre historiadores, acredita-se que isso ocorreu porque a decadência da produção de ouro fez com que muitos proprietários não conseguissem manter os seus escravos. Além dos escravos haviam homens livres que formavam uma classe intermediária de comerciantes, funcionários públicos, advogados, etc.
A sociedade das minas não era rica. No início os exploradores só se focaram na extração mineral o que ocasionou uma carência principalmente de alimentos, além de uma inflação que atingiu toda a Colônia. Com o passar do tempo ocorreu uma diversificação na economia o que tornou a sociedade mineira rica e próspera, essa riqueza está exposta nas construções e obras históricas das sociedades mineradoras.
No entanto, essa riqueza não estava dividida igualmente, mas sim concentrada nas mãos de poucos, principalmente de um grupo que não se dedicava somente à extração mineral. O período de apogeu da sociedade do ouro foi curto, de 1733 a 1748. O retrocesso da região foi nítido, a população de Ouro Preto, por exemplo, caiu de 20 mil para 7 mil em 60 anos. Porém esse retrocesso não atingiu toda a Capitania de Minas Gerais, que se manteve graças à pecuária, à agricultura e, mais tarde, à manufatura.